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Série Juros, risco e retorno: Como as taxas de juros são definidas?

06.02.2017

Olá leitores da Zetta Conhecimento,

 

Esse é o terceiro artigo da nossa série de Matemática Financeira. No primeiro,

 

explicamos rapidamente o que é juro e o que é uma taxa de juros. No segundo artigo falamos sobre a relação entre risco e retorno. Finalmente nesse artigo explicaremos como as taxas de juros são definidas.  Vamos lá então?

 

A verdade é que existem muitos fatores que determinam as taxas de juros praticadas pelo mercado. A oferta e demanda de crédito, o preço dos produtos básicos (como petróleo e soja) e as tensões políticas e econômicas entre os países são apenas alguns exemplos de eventos que podem ou não afetar as taxas de juros. Porém, existe um componente que tem poder de afetar todas as taxas de juros praticadas numa economia: A taxa básica de juros. No Brasil essa taxa é a Taxa Selic e cada país tem uma taxa que serve como base para os juros praticados.

 

Mas como isso acontece? Bom, o conceito básico é que o Governo de um país é sempre o melhor pagador de uma economia, ou seja, se você tem dinheiro disponível para investir, o Governo do Brasil sempre irá devolver o seu dinheiro com o retorno prometido, sendo esse o menor risco dentro de toda economia brasileira. E quando investimos nosso dinheiro no Governo, ele passa a ter uma dívida conosco e essa gera parte dos pagamentos dos famosos Juros da Dívida. Você com certeza já ouviu falar dos Juros da Dívida nos noticiários, mas o motivo de um país tomar empréstimos e gerar  dívidas será abordado em uma outra série de artigos.

 

E o que faz com que os Governos honrem tão firmemente o pagamento de juros dos investimentos realizados nele? Funciona igualzinho como nosso crédito pessoal. Você já experimentou pegar um empréstimo ou financiar um bem e não pagar? Isso simplesmente faz com que você não consiga mais nenhuma alma que te empreste dinheiro de forma razoável, sobrando somente os que irão te cobrar juros altíssimos e normalmente pedindo garantias para novos casos de não pagamento. É exatamente isso que acontece com os Governos que não honram o pagamento de juros de sua dívida. Em 2001 a Argentina não pagou os juros de dívida e aplicou o famoso calote, fazendo com que sua economia, já em recessão, tivesse ainda mais problemas para se recuperar (UOL, 2016). Em outras palavras, desemprego, aumento da pobreza e outros problemas sociais, sendo somente em 2016 que algumas notícias positivas podem ser lidas sobre a economia argentina.

 

Então, quando um banco determina quanto irá cobrar de juros nos atrasos de pagamento dos cartões de crédito, o ponto de partida dele é saber qual a taxa básica de juros da economia e a partir disso adicionar outros fatores como o risco de inadimplência, quanto o cliente está disposto a pagar e outros fatores. E assim fazem as financeiras na hora de estabelecer as taxas de juros de financiamento de veículos e as lojas para estabelecer as taxas de juros de crediários. Se a Taxa Selic cai, nossa Taxa Básica de Juros, automaticamente todas as taxas de juros caem (O POVO, 2016).

 

No nosso lado, a taxa básica de juros nos auxilia a decidir onde vamos investir nosso suado dinheirinho. Se o Governo Brasileiro te propõe o pagamento de 13% ao ano, faz sentido deixar dinheiro na poupança que rende pouco mais de 6% ao ano? Ou ainda, faz sentido contratar um consórcio que te paga 0% de retorno? É claro que não. Obviamente outros fatores devem ser levados em consideração, como de quanto em quanto tempo você terá acesso ao dinheiro investido, mas saber qual o mínimo que a economia brasileira paga por seu dinheiro nos permite tomar decisões muito mais inteligentes. Você consegue, por exemplo, analisar quanto o bar que seu amigo quer te colocar como sócio deve gerar de dinheiro para remunerar o seu investimento e ser considerado um bom negócio. Também conseguimos ver o quanto é importante não gastar mais do que se recebe, pois para cada real que você guarda você receberá 13 centavos em ano (supondo uma Taxa Selic de 13% a.a.), mas para cada real que você deve ao banco, você estará devendo novos 3 reais ao banco ao final de um ano (EXAME, 2016).

E aí, gostaram dessa série? Por favor deixem seus comentários e acessem as redes sociais da Zetta Conhecimento.

 

Até a próxima!

 

 

UOL. Relembre o maior calote da história da Argentina. Disponível em - http://www. http://economia.uol.com.br/noticias/afp/2014/07/28/relembre-a-maior-moratoria-da-historia-da-argentina.htm

 

O POVO. Após redução na Selic, juro do cartão de crédito cai. Disponível em - http://www.opovo.com.br/app/opovo/economia/2017/01/10/noticiasjornaleconomia,3678809/apos-reducao-na-selic-juro-do-cartao-de-credito-cai.shtml

 

EXAME. Gasto médio com juros no cartão foi de R$ 396 em 30 dias. Disponível em  - http://www. http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/gasto-medio-com-juros-no-rotativo-foi-de-r-396-em-30-dias/

 

 

 

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