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O profissional do petróleo e o Excel

28.09.2016

Fiquei muito empolgado quando recebi o convite da Zetta Conhecimento para escrever sobre o  

profissional do petróleo. Apesar de todos conhecerem a Petrobras, empresa que trabalho, poucos conhecem a rotina em uma sonda de perfuração (aqueles navios que ficam no meio do mar). Com esse texto, espero passar um pouco da minha rotina e mostrar como o Excel me ajuda, e sempre me ajudou, em minhas tarefas diárias.

 

Minha história no petróleo começou na faculdade, quando escolhi o curso de Engenharia de Petróleo na Escola Politécnica da USP. Na época eu trabalhava como professor de cursinho pré-vestibular. No meio da faculdade consegui um estágio em um grande banco brasileiro, onde fui efetivado quando me formei.

 

"como o Excel me ajuda, e sempre me ajudou, em minhas tarefas diárias"

 

Cinco meses após minha formatura, um caça talentos me convidou para uma entrevista em uma empresa de petróleo. Consegui o emprego, cheguei a pedir demissão do banco, mas nem comecei a trabalhar, pois fui aprovado no concurso da Petrobras. Após concluir o curso de especialização oferecido aos novos funcionários, comecei a trabalhar como fiscal de sondas contratadas pela Petrobras para perfuração de poços.

 

A rotina de trabalho embarcado não é nada fácil. Trabalhamos isolados nas sondas de perfuração. São 14 dias seguidos, com uma carga horária diária de 14 horas!

Meu dia de trabalho começa às 06:00 horas da manhã, quando “pego o serviço” do fiscal que estava trabalhando durante a noite (Sim, são apenas dois fiscais responsáveis pela sonda inteira). Às 07:00 horas esse fiscal vai descansar e eu assumo a função até as 19:00 horas, quando faço uma reunião de fechamento do dia.

 

Durante o dia, fico responsável por acompanhar e supervisionar todas as atividades que a sonda executa. Claro que para reportar esse progresso para o escritório em terra, acabo preparando alguns relatórios durante o dia. E adivinhem... eu uso muito Excel no trabalho!

 

Mas já que é para falar deste programa tão versátil, vamos voltar ao começo da minha carreira, quando precisei utilizar o Excel pela primeira vez. Na época era estagiário em um banco. Em meu curriculum eu possuía “Excel intermediário”, mas na verdade meus conhecimentos eram bem básicos!

 

Comecei utilizando o Excel para editar algumas planilhas de controle de vendas já existentes no banco, e pude perceber que elas não eram muito eficientes. Comecei a estudar mais a fundo e fui aumentando meus conhecimentos na ferramenta e pude implementar algumas melhorias, tanto na forma como elas eram construídas, como na apresentação final dos resultados.

 

O tempo foi passando, com muita dificuldade fui melhorando meus conhecimentos em Excel e acabei me tornando uma referência no programa em minha gerência. Tudo o que tinha que ser “planilhado” passava pela minha mão para eu construir a planilha e criar um relatório de apresentação final.

 

Mais tarde, quando eu fiz a minha primeira entrevista para uma empresa de petróleo, meu CV já dizia “Excel avançado” (e dessa vez não era mentira! rs). Percebi que isso fez diferença a meu favor e fui contratado. Mas como eu já disse aqui, não pude assumir esse emprego porque fui chamado no concurso da Petrobras que eu havia prestado. E, diga-se de passagem, no concurso que eu prestei teve prova de informática, onde eles cobraram conhecimentos em Excel.

 

Na Petrobras, já no meu curso de formação, precisei mais uma vez utilizar meus conhecimentos em Excel. Alguns métodos matemáticos para calcular reservas de petróleo e simular o fluxo dele na rocha reservatório podem ser programados em planilhas de Excel. Utilizamos muito a ferramenta atingir meta para fugir de cálculos iterativos feitos “na mão”.

 

"Utilizamos muito a ferramenta atingir meta para fugir de cálculos iterativos feitos na mão"

 

Até hoje, no meu dia-a-dia, utilizo muito o Excel. Desde uma simples planilha de check-list, para marcar, por exemplo, materiais que eu tenho a bordo e controlar o que está faltando, até planilhas mais complexas onde eu tenho diversas informações com dados do projeto do poço e eu posso extrair gráficos e outras informações que me sejam úteis.

 

Em resumo, ao longo da minha carreira sempre utilizei o Excel e tive que me forçar a aprender um pouco mais a cada dia, pois não tive a oportunidade de fazer um curso formal. Sem dúvida essa ferramenta está presente no meu trabalho desde sempre e tenho certeza que pode ajudar a qualquer um em seu serviço, tornando-o mais ágil e automático nas tarefas que temos que fazer rotineiramente.

 

 

Paulo Michel Drubi de Queiroz Pinheiro

Engenheiro de Petróleo na Petrobras

 

 

 

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